…” Queriam que eles usassem barrete… Era mais à antiga. E diziam-lhes para andarem de cinta preta com aqueles ganhos. Uma cinta mesmo pobre custa mais do que quatro cintos de cabedal. Só para deixar tirar o retrato aos turistas não dava a conta. Que havia mães que sempre arranjavam algum governo com os filhos bem arranjados para os mostrar a quem vinha de fora. Pegavam nas crianças, vestiam as sete saias às mocitas, mais um avental bordado, um cachine posto a preceito, à moda antiga e iam sentá-las nos barcos parados em cima do paredão. Mesmo ali no largo onde chegam os carros dos turistas. As mocitas diziam adeus, deixavam contar as saias, faziam-se para a fotografia e depois lá vinha uma moeda – às vezes de prata. Outras juntavam-se em grupos e dançavam o vira.
“Isto é amostra de bilhetes postais ou praia de pescadores?” Diziam os mais esturrados.”…
Trecho do “Lago das viúvas”, romance inédito de Alves Redol.

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