Nikon D70; Sigms 80-400m; V:500; A:8. ISO:250
domingo, 24 de janeiro de 2010
Romance do Pescador Velho”Bernardo dá-me uma esmolinha!”
tu, lavagante, a pedir!...
Seria de lume a moeda
Que eu, de joelhos te daria.
E tu havias de sentir…
Não posso, pescador, não dou!
Dou-te os gritos mudos do pântano
Que inunda a minha garganta,
Dou-te as lágrimas de fel
Que me enchem os olhos de espanto:
Não há justiça, nem Deus no céu?
Tu, lavagante a pedir!
esmola a ti?! Não dou. Não dou!
dou-te o meu deserto sem fim,
a fúria deste caudal
que sobe, sangrento, em mim,
dou-te a vergonha que sinto
de ser homem e viver assim
na terra que te viu jovem
-de fogo, sal e alecrim!-
e hoje te deixa pedir
uma esmolinha por caridade!
Levanta-te lavagante,
Vence essa roxa saudade:
Pescador, lembra-te de quem és!...
Extracto do poema “Romance do Pescador Velho“
de Bernardo Santareno inserido no livro “romances do Mar”.
Nazaré
…” Queriam que eles usassem barrete… Era mais à antiga. E diziam-lhes para andarem de cinta preta com aqueles ganhos. Uma cinta mesmo pobre custa mais do que quatro cintos de cabedal. Só para deixar tirar o retrato aos turistas não dava a conta. Que havia mães que sempre arranjavam algum governo com os filhos bem arranjados para os mostrar a quem vinha de fora. Pegavam nas crianças, vestiam as sete saias às mocitas, mais um avental bordado, um cachine posto a preceito, à moda antiga e iam sentá-las nos barcos parados em cima do paredão. Mesmo ali no largo onde chegam os carros dos turistas. As mocitas diziam adeus, deixavam contar as saias, faziam-se para a fotografia e depois lá vinha uma moeda – às vezes de prata. Outras juntavam-se em grupos e dançavam o vira.
“Isto é amostra de bilhetes postais ou praia de pescadores?” Diziam os mais esturrados.”…
Trecho do “Lago das viúvas”, romance inédito de Alves Redol.
A força da tradição
Nikon D200 Nikkor 18-70mm; V:1/125; A:11.
Nazaré. Arte chavega.
Mulher a puxar redes
As redes são lançadas no mar por botes tipicos com suas proas afiadas.
As redes são lançadas no mar por botes tipicos com suas proas afiadas.
Depois as redes são recolhidas no areal pela força do povo.
Bailado da imagem
com velocidade lenta, ao disparar o flash ilumina a cena e depois regista o restante movimento dos bailarinos.
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